Wednesday, August 30, 2006
Thursday, August 17, 2006
Poetry by the Sea

"The memory of you emerges from the night around me.
The river mingles its stubborn lament with the sea.
Deserted like the dwarves at dawn.
It is the hour of departure, oh deserted one!
Cold flower heads are raining over my heart.
Oh pit of debris, fierce cave of the shipwrecked.
In you the wars and the flights accumulated.
From you the wings of the song birds rose.
You swallowed everything, like distance.
Like the sea, like time. In you everything sank!(...)"
Pablo Neruda, "A Song of Despair"
Poema do Silêncio

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.
Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.
Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!
Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...
O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. Ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.
Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso
EnganoDe tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!
Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!
Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós.
E assim,Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.
Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...
*José Régio, in "Poemas de Deus e do Diabo"
Campos
